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O desenvolvimento de uma civilização centrada nas cidades e a evolução económica favoreceram o progresso do individualismo. O modelo político e social que vigorava na maior parte das cidades gregas, por volta do século VI, valorizou a pessoa, e o mesmo se passou no plano religioso. Surge, juridicamente, a noção de responsabilidade individual. Não espanta, pois, que nas artes e na literatura, surja também, cada vez mais nitidamente, um plano pessoal.
De entre os géneros literários de que temos notícia, o que é provavelmente mais antigo, a seguir à epopeia, é a elegia. A elegia utilizava estrofes de dois versos, um hexâmetro dactílico seguido de outro mais reduzido, o pentâmetro (dísticos elegíacos) e era recitada, acompanhada por flauta. A mais antiga que se conhece é de Calino de Éfeso. Trata-se de uma elegia de tema guerreiro, em que se exorta ao combate. Com temas idênticos conhecem-se elegias de Tirteu.
Sólon, homem de estado ateniense, compôs elegias em que celebrou as suas leis, a sua acção política, e a filosofia que está presente em ambas, com um forte carácter moralista. Tal como Teógnis de Mégara, que aconselha a prudência e a moderação aos aristocratas, preste a ser despojados pelas tiranias.
Mimnermo de Cólofon canta, num estilo mais intimista, a juventude e os prazeres do amor. De algum modo percursora do epicurismo, esta poesia lamenta a efemeridade da juventude e a aproximação da velhice, convidando a gozar o momento presente, único tempo possível para o amor. Posteriormente, a elegia vai-se fixando num tom mais melancólico. A forma breve e sintética dos dísticos prestou-se, também, à sua utilização nos epigramas (pequeníssimos poemas que exprimem concisamente um pensamento. Na Grécia antiga eram muito utilizados nas inscrições monumentais, como as inscrições funerárias. Depois ganharam autonomia literária, aproximando-se do aforismo, expressão lapidar de uma certa sabedoria).
Mas este género poético não era o único. Ao contrário desta poesia mais grave e culta, uma outra baseada em ritmos populares (utilizava o jambo, unidade métrica que realizava a alternância entre uma sílaba breve com uma sílaba longa) e com maior capacidade plástica, surgiu. Por estar mais próxima do quotidiano adaptou-se a um tom satírico, cujo maior representante foi Arquíloco, poeta que atingiu grande fama, que terá vivido no século VII.

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