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Tales de Mileto terá nascido em finais do século VII a. C. A tradição, veiculada por Heródoto, apresenta-se como sendo filho de Exâmias e de Cleobulina, fazendo parte da alta nobreza fenícia. No entanto, outras fontes, também antigas, consideram que pertencem a uma família ilustre, mas natural de Mileto.
É designado como um dos sete sábios da Grécia, sendo-lhe atribuídos vários apotegmas, representativos de uma reflexão de carácter moral, coligidos por Demétrio da Falera, dos quais se citam apenas alguns, a título de exemplo: «Lembra-te dos teus amigos, quer estejam presentes ou ausentes», «a ignorência é um fardo pesado», «esconde a tua felicidade para evitares suscitar a inveja», «afasta de ti a ociosidade, mesmo que sejas rico».
Ainda segundo a tradição, parece ter feito uma viagem ao Egipto, o que aliás era acostume entre os sábios naquela época, onde teria adquirido alguns dos seus conhecimentos.
Terá sido o primeiro a fazer uma precisão do eclipse do Sol, provavelmente baseado em observações empíricas e não empíricas, chegando ainda a uma teorização sobre as causas dos eclipses. Segundo Écio (17 b. II, 21,5) (D. 385), foi também o primeiro a afirmar que a Lua era iluminada pelo Sol.
A sua actividade desenvolve-se em torno da política, engenharia, astronomia e geometria. Contam-se algumas histórias sobre a sua vida e, embora não seja possível saber se têm algum fundo de verdade, pretendem ser demonstrativas da sua personalidade. Segundo Teodoro, enquanto Tales observava os astros caminhando, caiu a um poço, o que levou uma escrava Trácia a rir-se dele, dizendo-lhe que, enquanto se preocupava com as coisas do céu, não reparava no que estava sob os seus pés.
A par desta história, que nos mostra o filósofo como possuidor de um carácter pouco ligado à realidade, conta-se uma outra, relativa ao seu sentido prático: tendo sido censurado por ser pobre, visto que se dedicava à filosofia, estudo sem nenhuma utilidade prática, alugou todos os lagares de Mileto e arredores, por um preço muito baixo, baseado na previsão, pela observação dos astros, de uma abundante colheita de azeitona. A previsão foi correcta e, quando chegou a altura da colheita, sub-alugou os lagares aos respectivos donos, por um preço muito alto, mostrando que, para o filósofo não é difícil enriquecer, mas não é aí que residem os seus interesses.

Acerca da sua obra não nos chegou nenhum documento autêntico e quase tudo o que se sabe sobre a sua cosmologia depende das referências feitas por Aristóteles.
Se o seu pensamento nos parece, à luz dos nossos conhecimentos actuais, bastante ingénuo, temos de lhe reconhecer o mérito de ter sido o primeiro a tentar encontrar uma explicação física para a origem do universo.
Quando afirma que o primeiro princípio (arquê) é a água, baseia-se na observação e não na crença:

«(…) As aparências sensíveis conduzem-nos a esta conclusão, porque aquilo que é quente necessita de água para viver, e o que está morto, seca; (…) ora é natural que cada coisa se alimente daquilo de que provém, mas a água é o princípio da natureza húmida e o que engendra todas as coisas».
(Diéles 13, Simplicios, 23, 21. opiniões sobre os físicos de Teotrasto, fr. I. Doxografos, 475 I).

Embora, segundo Aristóteles, se possa ter baseado numa crença antiquíssima, de tipo mítico, que se encontra em Homero, segundo a qual Oceano e Tétis (personificação do princípio aquético) são o início de toda a geração, a sua atitude, é radicalmente diferente das concepções míticas sobre o real.
Então, a água é o princípio, uma água primordial, que, por um processo físico, dá origem à terra, ao ar e ao fogo. A terra e todos os astros flutuam na água, pois se o ar e o fogo são exalação da água, a terra é o seu depósito residual, sendo os astros e o Sol de uma natureza terrosa, mas inflamável.
Esta água original é posta em movimento por uma força activa que penetra todas as coisas:

«A inteligência do mundo é o deus; porque tudo está simultaneamente animado e cheio de daimons; o húmido elementar é penetrado pela potência divina que o põe em movimento.» (23. Écio, I, 7, II, D. 301).

Podemos, assim, verificar que a atitude de Tales de Mileto se centra na busca de uma ordem racional e não sobrenatural para explicar a realidade, embora ainda imbuída de aspectos relacionados com o mito, pelo menos ao nível da linguagem.
Pensamos ser este o significado da afirmação de Nietzsche quando diz: «Tales viu a unidade e, quando a quis dizer, falou da água».

Filosofia

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