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Quais folhas criadas pela estação florida da Primavera,
quando de súbito crescem sob os raios do Sol,
assim somos nós: por um tempo de nada nos deleita
a flor da juventude, sem conhecermos o mal ou o bem que vêm
dos deuses. Ao lado, estão as Parcas tenebrosas,
uma, detentora da velhice medonha,
a outra, da morte. Pouco dura o fruto da juventude
— o tempo de o Sol derramar a sua luz sobre a terra.
E depois, logo que chega o fim da estação,
melhor é morrer logo que viver,
pois são muitos os males que surgem no nosso coração:
ora é a casa que cai em ruína,
e os efeitos dolorosos da pobreza;
outro não tem filhos, e, sentindo a sua falta,
desce ao Hades, debaixo da terra;
outro tem doença que destrói a vida. Não há homem
a quem Zeus não dê muitos infortúnios.

Mimnermo de Cólofon

David Mourão-Ferreira em Imagens da Poesia Europeia, 1º Vol., Lisboa, 1970, reeditado em Colóquio|Letras, nos. 166/167, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Janeiro-Junho de 2004.

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