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Platão parte do método socrático, completando-o duplamente. Subjectivamente, liberta-o de unilateralidade indutiva, tornando-o também instrumento do procedimento inverso, a dedução. Objectivamente, liberta-o de restrição da ética, dando-lhe uma formulação universal e metafísica. Desta forma, ultrapassa a posição sofística, aproveitando o peso da filosofia pré-socrática, em particular de doutrina de Pitágoras e do conflito Parménides-Heraclito.

Níveis do Conhecimento e Dialéctica

Sobre as coisas sensíveis temos conhecimentos sensíveis, opiniões (doxa), e sobre o que é, sobre a verdadeira realidade, temos conhecimento inteligível, ciência (episteme). No âmbito da opinião, Platão distingue dois níveis de conhecimento, correspondentes a dois níveis de realidade: a conjectura ou imaginação (cicasía), ou conhecimento das imagens, e a crença ou fé, o conhecimento perceptível das coisas sensíveis. Na área da ciência também há dois graus de conhecimento: o raciocínio ou região discursiva (dianoia), que tem por objecto os seres matemáticos e o conhecimento filosófico ou inteligência intuitiva (nous) que, mediante a dialéctica, ascende à contemplação das ideias. A sabedoria é o conhecimento perfeito, intelectual (noesis) das ideias.

Em relação aos filósofos precedentes é fácil perceber-se a novidade platónica. A física, tal como era entendida pelos pré-socráticos, só proporciona opiniões variáveis acerca de uma realidade em mudança. A solução de Parménides deixava a realidade sensível sem explicação. O uno acontecia com a doutrina pitagórica. Sócrates, com os seus conceitos, reduzia a realidade à moral e os conceitos eram meras hipóteses que necessitavam de posterior confirmação. Tal como os pitagóricos, Sócrates, ao transcender a sensação, não transcende o mundo sensível.

Em Platão, a técnica do filósofo é a de distinguir o justo do injusto, o bem do mal, dar as definições correctas, colocando cada entidade no lugar lógico que lhe convém. As realidades são vistas sob o ponto de vista das Ideias, salvando-se assim as aparências sensíveis comummente confundidas com a realidade. Não se trata do sonhar, do que é baseado em sensações, aparências, sonhos da realidade.

O sensível só nos dá a conhecer o particular e o acidental. O caminho que nos leva a saber o que é aquilo que é, é o método dialéctico, que nos conduz à Ideia, através da qual as coisas se tornam compreensíveis e nomeáveis. Das figuras triangulares ao triângulo, dos pontos ao conceito de ponto (que não tem existência pública), das coisas, acções e homens juntos à justiça em si, que faz com que haja coisas juntas e possíveis de serem assim conhecidas, o que importa é a realidade como tal, o em si de cada coisa, a essência, a forma, o modelo dos objectos, das coisas e das acções correspondentes.
A definição de filosofia abarca todos os casos existentes e possíveis, relativos à realidade definida. A única definição dos anos, do bem, de justiça, etc., é a que corresponde à sua Ideia, e a dialéctica é o instrumento do pensar que conduz ao mais alto grau de ciência, o oposto de ignorância (o não saber que se ignora a si mesmo). Entre o Ser, de que se apura a filosofia e o Não-Ser (iporéma), existem graus intermédios de realidade e, por isso, de conhecimento. Os objectos sensíveis não são inteiramente reais, mas também não são inteiramente inexistentes, pelo que a função dialéctica comporta os já referidos níveis que se hierarquizam em funções de conhecimento de acordo com a hierarquia do Ser.

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