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A tragédia grega era representada durante os festivais em honra de Dioniso, em recintos concebidos para o efeito e que lhe eram dedicados. Este e outros factos apontam para a tese, ainda hoje muito discutida, que estabelece a origem da tragédia nestes rituais sagrados.

Do coro inicial destacou-se um actor (com Téspis, primeiro vencedor de um festival dionisíaco), depois Ésquilo introduziu um segundo actor e um terceiro surgiu com Sófocles. Um actor podia representar vários papéis, para o que usava máscaras, que contribuiam também para o hieratismo que caracterizava a cena. A estrutura da tragédia foi sofrendo alterações a partir das inovações introduzidas pelos autores e foi produzindo, por isso, alterações no próprio espaço cénico. De qualquer modo, a partir de Ésquilo as partes da tragédia aparecem-nos já definidas: um prólogo; o párodo (entrada do coro); alternância de episódios com odes corais; êxodo (saída de todos os intervenientes). Havia partes que eram faladas, outras que eram cantadas e, em certos momentos, intervinham dançarinos.

Aristóteles, na Poética, define a tragédia (1449b) tomando como referência as obras de Ésquilo, Sófocles e Eurípides:

«É pois a tragédia imitação de acções de carácter elevado, completa em si mesma, de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes do drama, imitação que se efectua, não por narrativa, mas mediante actores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação (cathársis) desses sentimentos. Digo ornamentada a linguagem que tem ritmo, harmonia e canto, e o servir-se separadamente de cada uma das espécies de ornamentos, significa que algumas partes da tragédia adoptam só verso, outras também o canto.» (tradução de Eudoro de Sousa)

No centro deste universo está a relação do homem com o destino inexorável, com os deuses, consigo próprio, tantas vezes instrumento dos deuses e do destino que, por vezes, desafia.

Progressivamente, a tragédia grega centrar-se-á no elemento humano e nas paixões que o movem, no erro que o condena e na justiça que os outros homens ou os deuses fazem abater sobre ele. A acção é quase sempre situada num passado remoto, muitas vezes encenando lendas micénicas e dando corpo aos mitos.

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