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VOTG002.Grenadine

O teatro – a tragédia, a comédia – surge em ligação com o culto dionisíaco. As representações dramáticas aparecem-nos como um acto religioso e cívico, ao qual assistia toda a polis. Um numeroso grupo de coreutas reunidos em volta do altar, exibindo máscaras de pano embebido em gesso, narravam numa melopeia o suplício do deus assassinado pelos inimigos e ressuscitado. Esta representação foi evoluindo e, para que os coreutas pudesse recuperar o fôlego, começaram a introduzir-se pausas entre as estrofes, nas quais se introduzia o solo de um recitante. Assim, as lamentações alternadas do recitante e do coro acabaram por se transformar em diálogo e o recitante deu lugar ao actor.

A narração passou a abranger acontecimentos da história da Grécia, ligados ao conflito entre o Homem e os deuses. Tal conflito gerou a acção da tragédia. As personagens interrogam-se sobre o sentido da existência e o destino do Homem. O Homem procura libertar-se, desafiando as forças divinas. Mas os deuses não podem tolerar a rebelião de quem busca igualar-se-lhes e respondem com a vingança e a punição. O coro, que é parte integrante da tragédia, comenta os acontecimentos e aconselha a moderação ao herói, nos seus desejos de
independência. Mas a fatalidade domina toda a acção.

A comédia terá nascido mais tarde. Supõe-se ter a sua origem nas várias festas e mascaradas com que os camponeses áticos celebravam o mesmo Dioniso, deus das colheitas, evoluindo depois até atingir as suas características máximas, dominadas pela sátira satírico de intenção moralizadora, comentando a dissolução dos costumes da época.

As  representações realizavam-se a céu descoberto, em amplos anfiteatros com assentos destinados ao público; com a cena que incluía os camarins, sala dos actores e depósito do material cénico, com o proscénio, ou
seja o lugar onde os actores se dirigiam ao público e que se compunha de um estrado levantado dois metros acima do solo, e com a orquestra, espécie de arena de terra batida, no centro da qual se erguia o altar e onde  actuavam o coro e os bailarinos.

O principal atributo do actor era a máscara, de expressão acentuada (a da comédia com a boca
aberta num riso largo e a da tragédia num esgar doloroso), ocultando um amplificador destinado a aumentar o volume da voz e encimada por uma cabeleira artisticamente composta. Uma túnica de tecido bordado cobria-lhe o corpo. Nos pés, umas sandálias de sola alta, chamadas coturnos, ampliavam a figura e davam ao actor uma majestade sobre-humana, quase aterradora. Nas comédias, os actores usavam traje curto e calçado vulgar. Os actores desempenhavam vários papéis, in­cluindo os femininos. A elocução compreendia três processos: fala; recitativo e canto.

Os cenários terão sido inventados por Sófocles. As técnicas da época eram a mechané, que  servia para pôr em cena as divindades num plano mais elevado; o aparelho para imitar a trovoada (Bronteion), o que mostrava o interior do palácio (ekkyklema) e os prismas móveis para mudar rapidamente o cenário (periaktoi).

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