Home

55047-15
A POESIA ALEXANDRINA

Depois da morte de Alexandre Magno (323 a.C.) o centro da cultura grega tinha-se deslocado para Alexandria onde, em torno da sua grande Biblioteca, se desenvolvia uma cultura cosmopolita, requintada e palaciana, dominada por um certo artificialismo, que era, também, a dominante da vida da grande cidade.

A arte que aí se desenvolve já não se dirige à multidão reunida no teatro. A poesia é recitada em salões para um número reduzido e escolhido de ouvintes. O teatro, mais do que representado, é lido a um público igualmente restrito.

Sabe-se relativamente pouco desta poesia alexandrina, pois poucos textos se conservaram, havendo dificuldade em estabelecer uma história da poesia e dos poetas desta época.

CALÍMACO

Por exemplo, só neste século se reuniram informações e dados suficientes para estabelecer a obra de Calímaco (c.315-c.244 a.C.), nascido em Cirene, autor de seis Hinos, do poema A Cabeleira de Berenice, Hécale, uma epopeia elegante e de pequena dimensão, longe da desordem e da extensão dos poemas Homéricos, Aitía, uma colectânea de temas mitológicos, Ibis, uma sátira, e um grande número de epigramas, género muito cultivado pelos poetas alexandrinos e de que se conserva um grande número na colectânea conhecida por Antologia Palatina (assim chamada por ter sido encontrada, em 1607, pelo humanista Claude Saumaise na Biblioteca Palatina de Heidelberga e que agora integra a Biblioteca Vaticana. Consta de 15 livros com 5300 composições, e com 22 500 versos).

TEÓCRITO

Sobre Teócrito sabe-se que terá vivido entre o final do século IV e o princípio do século V a.C. Autor de uma poesia menos erudita, o género onde melhor mostrou a sua arte foi o bucolismo, contido numa série de Idílios. Da colecção que se conservou existem, contudo, poemas que não são da sua autoria. Nesta forma poética aparecem-nos pastores, enquadrados num cenário rural, que rivalizam em concursos de canto, em que os temas são o amor e a natureza.

Para além de outros poemas, dos Contos, de um Elogio de Ptolomeu, escreveu Mimos, onde faz reviver a sociedade sua contemporânea. O mais célebre deles é As Siracusanas, em que a acção se passa em Alexandria durante as festas de Adónis e onde encontramos a multidão na rua, na sua variedade e colorido, e onde o diálogo vivo se orienta para questões vulgares com uma notável perspicácia psicológica.

APOLÓNIO DE RODES

Merece ainda referência Apolónio de Rodes (c.295-c.215 a.C.) que, embora nascido em Alexandria, se refugiou em Rodes para terminar o seu ambicioso poema épico Os Argonautas, criticado por Calímaco, de que o poeta fora discípulo. Não terá conseguido insuflar nesta obra o fôlego que caracteriza a épica, mas a argúcia psicológica, a análise de sentimentos e o erotismo, tão do agrado dos alexandrinos, consagraram a figura de Medeia e a sua paixão por Jasão.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s