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Escritor português cuja primeira obra publicada foi A Porta dos Limites (1952). Tal como nos livros seguintes (Bastardos do Sol, 1959; Estrada de Morrer, 1972; As Pombas São Vermelhas, contos, 1977) o Alentejo – paisagem e conflitos –, onde passou a infância e parte da adolescência, é o cenário preferencial da sua ficção, bastante marcada pela sua militância política.
Porém, Urbano Tavares Rodrigues não se limitou a ser um escritor comunista, puro e duro. Certas questões estéticas e estilísticas interessaram-no desde cedo: a sua dissertação de licenciatura em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa (na qual foi assistente entre 1956 e 1959, altura em que foi afastado por motivos políticos e à qual regressaria depois de 1974, aí terminando a carreira como professor catedrático) foi sobre Manuel Teixeira-Gomes, autor que o haveria de interessar pela vida fora.
Entretanto, fora leitor de Língua e Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras de Montpellier (1950) e encarregado do Curso de Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras de Aix-en-Provence, e também leitor de Língua e Literatura Portuguesa na Sorbonne (1953- 1955).
Essa experiência francesa presentifica-se, por seu lado, em livros como Vida Perigosa (1955), A Noite Roxa (1956) ou Uma Pedrada no Charco (1958, Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa), por via do magistério existencialista de Sartre e outros autores, ou por via do confessionalismo erótico e amoroso e do pendor poético e político: Os Insubmissos (1961), Exílio Perturbado (1962), As Máscaras Finais (1963), Imitação da Felicidade (1966).
Passado o fulgor revolucionário da segunda metade dos anos 60 (UTR foi, por exemplo candidato a deputado pela CDE pelo círculo eleitoral de Beja, em 1969) e anos 70 (Viamorolência, contos, 1976), e sem nunca pôr completamente de parte as suas interrogações inquietações anteriores (foi sempre um escritor politicamente empenhado e deu sempre a cara pelo Partido), procurou dar maior amplitude à narração, em particular no conjunto formado por Filipa Nesse Dia (1989), Violeta e a Noite (1991), Deriva (1993) e O Ouro e o Sonho (1997), mas, como escreveu Serafim Ferreira, «sempre o amor e a morte se erguem como vertentes marcantes de a vida se impor no correr dos anos». Foi casado com a escritora Maria Judite de Carvalho. Entre os prémios com que foi distinguido, destaca-se o Prémio de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

Ficção (além das obras já mencionadas):
As Aves da Madrugada, 1959;
Nus e Suplicantes, 1960;
Terra Ocupada, 1964;
Dias Lamacentos, 1965;
Despedidas de Verão, 1967;
Casa de Correcção, 1968;
Horas Perdidas, 1969;
Contos da Solidão, 1970;
As Torres Milenárias (teatro), 1971;
Dissolução, 1975;
Estórias Alentejanas (contos), 1977;
Desta Água Beberei, 1979;
Fuga Imóvel, 1982;
Oceano Oblíquo, 1985;
A Vaga de Calor, 1986;
A Hora da Incerteza, 1995;
O Adeus à Brisa, 1998;
O Último Dia e o Primeiro, 1999;
O Supremo Interdito, 2000;
Nunca Diremos Quem Sois, 2002;
A Estação Dourada (contos, Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco), 2003;
O Eterno Efémero, 2005;
Ao Contrário das Ondas, 2006;
Os Cadernos Secretos do Prior do Crato, 2007;
A Última Colina (contos), 2008;

Ensaio e Crítica
O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa, 1958;
O Alentejo, 1958;
O Mito de Dom Juan, 1960;
Noites de Teatro, 2 vols., 1961 e 1962;
O Romance Francês Contemporâneo, 1964;
Realismo, Arte de Vanguarda e Nova Cultura, 1966;
A Estremadura, 1968;
Escritos Temporais, 1969;
Ensaios de Escreviver, 1971;
Ensaios de Após Abril, 1977;
O Gosto de Ler, 1980;
Um Olhar sobre o Neo-Realismo, 1981;
Horas e Desoras, 1993;
Tradição e Ruptura, 1994;
O Homem Sem Imagem, 1994;
O Texto sobre o Texto, 2001;
O Algarve em Poemas, 2003;
A Flor da Utopia, 2003;
O Mito de D. Juan e Outros Ensaios de Escreviver, 2005;
A Natureza do Acto Criador, 2011.

Viagens e Crónicas
Jornadas no Oriente, 1956;
Jornadas na Europa, 1958;
De Florença a Nova Iorque, 1963;
Roteiro de Emergência, 1966;
Tempo de Cinzas, 1968;
A Palma da Mão, 1970;
Deserto com Vozes, 1971;
Esta Estranha Lisboa, 1972;
Redescoberta da França, 1973;
Viagem à União Soviética e Outras Páginas, 1973;
As Grades e o Rio, 1974;
Perdas e Danos, 1974;
Palavras de Combate, 1975;
Diário da Ausência, 1975;
Registos de Outono Quente, 1976;
A Luz da Cal, 1996;
God Bless America, 2003.

Lisboa, 1923 – 2013

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