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Escritor, tradutor e professor que desempenhou um papel de grande relevância na área dos estudos portugueses em França. Licenciado em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa, foi leitor (1957-1961) na Universidade de Aix-Marselha e na Sorbonne e, posteriormente, assistente na Universidade de Paris VIII (Vincennes) a partir de 1968. Aí, em 1984, defendeu tese subordinada ao tema «João Rodrigues de Sá de Menezes et l’ humanisme portugais», tendo sido nomeado professor titular e ingressando depois na Sorbonne Paris IV, onde se distinguiu à frente do Departamento de Estudos Portugueses, Brasileiros e da África Lusófona. Jubilou-se em 1996.
Como investigador, publicou trabalhos inovadores sobre a época do Renascimento. André de Resende, Damião de Góis, Jorge Coelho, João Sá de Menezes e o seu irmão António, João de Barros foram alguns dos autores que estudou, dedicando-se também à crítica textual e à fixação e publicação de textos inéditos, deixando importante bibliografia nessa área.
Cofundador e director das revistas Árvore e Cassiopeia, José Terra foi também poeta e, apesar de ter publicado apenas quatro livros de poesia, é, nas palavras de Artur Anselmo, uma «figura cimeira do lirismo contemporâneo português, ao qual trouxe uma das mais perfeitas alianças entre a modernidade formal e a cosmogonia de substrato clássico».

Prozelo, Arcos de Valdevez, 1928 – Paris, 2014

Obra poética:
Canto da Ave Prisioneira (1949)
Para o Poema da Criação (1953)
Canto Submerso (Prémio Teixeira de Pascoaes, 1956)
Espelho do Invisível (1959)

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Capa (colagem de Fernando Azevedo) da 1.ª edição de Canto Submerso, publicado pela Portugália, em 1956.

Áspera poesia
quase sem palavras.

Agora o silêncio
torce-se em meus nervos
e é assim que nascem
estes versos duros.

À severa face
de meus breves poemas
lancem o desprezo
da vossa alegria.

Que eu estou aqui
entre o mar e a terra
à espera do vento.

***

Escutai agora
seu canto submerso,
os muros que crescem
de silêncio e angústia,
seus lábios de pedra
que o orvalho não toca.

Nos umbrais da morte,
intranquilo e só,
ele está velando
a forma indecisa,
o corpo ondulante
da imaginação.

Coração já gasto
pelo esforço longo
de sobrevivência!

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