Home

Escritor norte-americano que desde cedo se envolveu no consumo de substâncias ilícitas, sentindo também ainda muito jovem o apelo da homossexualidade, cujo meio nova-iorquino haveria de conhecer intensamente enquanto frequentava a Universidade de Harvard, onde entrara em 1932. Depois de formado, viajou para a Europa, explorou os meios homossexuais austríacos e húngaros. Nessas deambulações, conheceu Ilse Klapper, com quem casou para a salvar da perseguição nazi. Mentalmente instável, viveu um período atribulado, de Nova Iorque para Chicago, onde exerceu sucessivas profissões. Em 1944, conheceu Joan Vollmer, com quem casaria e haveria de matar a tiro, em 1951. Condenado por homicídio, fugiu para a América do Sul e o dinheiro da família abastada terá servido para abrandar eventuais perseguições.
Em 1953, publicou sob o pseudónimo William Lee o romance Junkie: Confessions of an Unredeemed Drug Addict, que levantaria escândalo e acusações de obscenidade, mas que evidenciava também as suas capacidades narrativas. Volta à Europa, vagabundeia por Tânger, Roma, Paris, Londres. Das experiências limite com as drogas nasceu o romance The Naked Lunch (1959), que de novo provocou escândalo e acusações de obscenidade, mas que ao longo do tempo criou uma aura de culto à sua volta. Usando uma técnica de montagem – o cutting up, colagem de textos cuja justaposição arbitrária conduz à sensação de choque e de insólito – que, rompendo uma concepção linear da narrativa, descreve, não sem ironia, os meandros do universo da toxicodependência e da homossexualidade, que assume claramente.
Do seu encontro com Allen Ginsberg — a correspondência entre os dois seria publicada inicialmente em 1963 sob o título The Yage Letters – nasceria o movimento literário conhecido pela designação de Beat Generation, ao qual se associariam Jack Kerouac (com quem Burroughs colaborou na escrita de um romance (1945), And the Hippos Were Boiled in their Tanks, só publicado em 2008), Gregory Corso e outros, que reencontra na boémia do Quartier Latin de Paris, em 1959. A partir de 1966 tenta, de vários modos, libertar-se da dependência da droga, incluindo a via espiritual. Em 1974, através de Ginsberg, leccionou no City College de Nova Iorque, onde contactou com intelectuais, artistas e gente da cultura Pop. Em 1983, foi recebido na American Academy and Institute of Arts and Letters, colaborou com músicos como Tom Waits e produziu artefactos visuais, sempre envoltos por alguma polémica. Burroughs participou como actor em vários filmes e vários dos seus textos foram passados para o ecrã, com destaque para Naked Lunch, realizado por David Cronenberg, em 1991.

Saint-Louis, Missouri, 1914 – Lawrence, Kansas, 1997

Obras
além das referidas no texto
The Soft Machine (1960)
The Ticket That Exploded (1961)
Dead Finger Talks (1963)
Nova Express (1964)
Apo-33 (1966)
The Wild Boys (1971)
Last Words of Dutch Schultz (1975)
Cities of the Red Night (1981)
The Place of Dead Roads (1983)
Queer (1985)
The Western Lands (1987)

The Job: Interviews with William S. Burroughs (1970, com Daniel Odier)
Jack Kerouac (1970, com Claude Pelieu)
The Electronic Revolution and Other Writings (1971)
The Retreat Diaries (1976)
Letters to Allen Ginsberg (1978)
Last Words: The Final Journals of William S. Burroughs (2000)
Everything Lost: The Latin American Notebook of William S. Burroughs.

Bibliografia completa aqui.

Conferência na Naropa University sobre escrita (1986)
Documentário sobre William S. Burroughs (1991). Legendado em espanhol aqui.

Acerca da obra de Burroughs
poema de Allen Ginsberg (do livro Reality Sandwiches)
tradução de José Palla e Carmo (em Uivo, cadernos de poesia 26, Dom Quixote, 1973)

A receita será esta: carne da mais pura,
sem qualquer molho simbólico;
visões reais & prisões reais
tal como os vemos uma vez por outra.

Prisões e visões apresentadas
com raríssimas descrições
que correspondam exactamente
às de Alcatraz e de Rose.

Um almoço nu é para nós o normal;
comemos sanduíches da realidade.
Ao passo que as alegorias não passam de folhas de alface.

Não escondamos sob elas a loucura.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s