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O poeta galês Dylan Thomas começou cedo a publicar em jornais, actividade de que resultaria o seu primeiro livro de poesia, Eighteen Poems (1934), seguido de Twenty Five Poems (1936). Por essa época, era já evidente na sua poesia a importância das sonoridades, criadoras de uma música própria, independente do sentido das palavras. Porém, ao contrário do que alguma crítica apontou, e como notou justamente Jorge de Sena, «nada há de automatismo surrealista em Dylan Thomas, mas antes uma lógica interna das imagens que ia em contra do discursivismo intelectualizado que nem Eliot abandonara na poesia anglo-saxónica» (em Poesia do Século XX). Ainda assim, os livros tiveram boa recepção, embora restrita. A partir de 1937, Dylan Thomas colaborou regularmente em programas radiofónicos da BBC, o que reforçou o lado fonético da sua poesia, que, segundo o poeta, devia ser ouvida, mais do que lida.
Depois da poesia de Map of Love (1939) e das histórias autobiográficas de Portrait of the Artist as a Young Dog (1940), com a guerra, viria um longo período de turbulência pessoal e familiar, mas também de aturada produção literária.
Havia muito que o álcool constituía um problema, quando foi convidado (1950) a deslocar-se aos Estados Unidos, consequência da sua celebridade crescente no pós-guerra, país que percorreu fazendo leituras públicas e a que haveria de regressar ainda por diversas vezes em 1952 e 1953.  Entretanto, o aparecimento dos Collected Poems, em 1952, ocasionara já a atribuição do Prémio de Poesia William Foyle e o Prémio Internacional de Etna-Taormina.
A morte de Dylan Thomas, devidamente provavelmente a doença intensificada pelo cansaço, pelo alcoolismo e por medicação inadequada, ocorreu quando preparava a sua peça Under Milk Wood (publicada em 1954). A poesia de Dylan Thomas, que deu à literatura do seu país a tonalidade lírica e apaixonada ausente desde Keats, se muitas vezes se furta a um significado claro, é atravessada por um denso mistério de palavras, pela memória religiosa e pelo universo da infância.

Swansea, 1914 – Nova Iorque, 1953

Obras
para além das já referidas:
The World I Breathe (1939)
New Poems (1943)
Deaths and Entrances (1946)
Twenty-Six Poems (1950)
In Country Sleep (1952)
The Doctors and the Devils (1953)
Adventures in the Skin Trade and Other Stories (1955)
A Prospect of the Sea (1955)
A Child’s Christmas in Wales (1955)
The Beach of Fales (1964).

Página oficial sobre Dylan Thomas.
Comemoração do centenário de Dylan Thomas.
DOCUMENTÁRIO (From Grave to Cradle, 2003) sobre a vida de Dylan Thomas: 123
Anthony Hopkins lê o poema de Dylan Thomas Do Not Go Gentle into That Good Night.
Dylan Thomas lê os seus poemas.

DOIS POEMAS DE DYLAN THOMAS

The force that through the green fuse…
The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.

The force that drives the water through the rocks
Drives my red blood; that dries the mouthing streams
Turns mine to wax.
And I am dumb to mouth unto my veins
How at the mountain spring the same mouth sucks.

The hand that whirls the water in the pool
Stirs the quicksand; that ropes the blowing wind
Hauls my shroud sail.
And I am dumb to tell the hanging man
How of my clay is made the hangman’s lime.

The lips of time leech to the fountain head;
Love drips and gathers, but the fallen blood
Shall calm her sores.
And I am dumb to tell a weather’s wind
How time has ticked a heaven round the stars.

And I am dumb to tell the lover’s tomb
How at my sheet goes the same crooked worm.

A força que pelo fuso verde…
A força que pelo fuso verde governa a flor
Governa meus verdes anos; a que rebenta as raízes das árvores
É que me destrói.
E sou mudo para dizer à rosa que se curva
Que a minha juventude se encurva à mesma febre invernal.

A força que conduz a água por dentro das pedras
Conduz meu sangue rubro; a que seca exaustas correntes
Volve a minha em cera.
E sou mudo para explicar às minhas veias
Como na fonte da montanha a mesma boca bebe.

A mão que no charco as águas redemoinha
Agita a areia movediça; a que encordoa o vento uivante
Arrasta a minha vela-sudário.
E sou mudo para contar ao enforcado
Como a minha argila é o lobo do carrasco.

Os lábios do tempo sanguessugam a nascente;
O amor goteja, adensa-se, mas o sangue escorrido
Acalmará as dores dela.
E sou mudo para revelar a ventos-meteoros
Como teceu o tempo um céu à volta das estrelas.

E sou mudo para dizer ao túmulo do amante
Como em meu lençol vive o mesmo retorcido verme.

tradução: Jorge de Sena

The hand that signed the paper
The hand that signed the paper felled a city;
Five sovereign fingers taxed the breath,
Doubled the globe of dead and halved a country;
These five kings did a king to death.

The mighty hand leads to a sloping shoulder,
The finger joints are cramped with chalk;
A goose’s quill has put an end to murder
That put an end to talk.

The hand that signed the treaty bred a fever,
And famine grew, and locusts came;
Great is the hand that holds dominion over
Man by a scribbled name.

The five kings count the dead but do not soften
The crusted wound nor stroke the brow;
A hand rules pity as a hand rules heaven;
Hands have no tears to flow.

A Mão Que Assinou o Papel…
A mão que assinou o papel destruiu uma cidade;
cinco soberanos dedos tributaram a respiração,
de mortos duplicaram o mundo, a meio cortaram um país:
estes cinco reis provocaram a morte de um rei.

A poderosa mão conduz a um ombro descaído;
sofrem de cãibras as junturas dos dedos engessados.
Uma pena de pato pôs fim ao morticínio
que tinha posto fim às negociações.

A mão que assinou o tratado engendrou febre,
e aumentou a fome, e vieram gafanhotos:
grande é a mão que sobre todos impera
com o gatafunho de um nome.

Os cinco reis contam os mortos, mas não acalmam
a crosta das f’ridas nem a fronte afagam.
Há mãos que regem a piedade, outras o céu:
só não as há que vertam lágrimas.

tradução: David Mourão-Ferreira

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