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EM32Apricot

Ó Tu, que estás para além de tudo,
como designar-Te de modo diferente?
Que palavra Te pode cantar,
se nenhum vocábulo Te nomeia expressamente?
E como há-de o espírito encarar-Te,
se não consegues ser apercebido
por nenhum espírito inteligente?

Só Tu és inominável,
embora tenhas criado
tudo quanto a palavra apreende…
Só Tu és in-conhecível,
embora tenhas criado
o próprio conhecimento…

Todas as coisas falantes, ou não falantes,
entoam a Tua glória.
Todas as coisas pensantes, ou não pensantes,
conhecem a Tua glória.
Todos os desejos de todos,
todos os sonhos de todos,
todas as preces de todos
gravitam à Tua roda…
E todo o Universo, com a consciência do Teu Ser,
Te canta um hino de silêncio.
Tudo em ti permanece
e tudo faz, de Ti,
a sua convergência…
És o começo e o fim de tudo,
és o todo
e nada de distinto dentro desse Todo.

E, quanto a nomes,
todos Te pertencem, todos, todos.
Como Te chamarei, contudo,
se és o único que não tens nome?
Que espírito celeste poderá penetrar
para além desses véus
tão acima de todas as nuvens?
Ah! Sê-nos propício,
Tu que és tudo
e que estás, afinal, para além de tudo!

tradução de David Mourão-Ferreira, em Imagens da Poesia Europeia, 1º Vol., Lisboa, 1970, reeditado em Colóquio|Letras, nos. 166/167, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Janeiro-Junho de 2004.

Ver Origens da literatura cristã

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