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No período que precedeu o apogeu do império bizantino, nos Séculos IV e V, a par da literatura que radica na tradição, nas escolas e nos géneros antigos, de carácter pagão, afirmou-se uma nova literatura, de inspiração cristã.
Bizâncio reparte ainda a actividade intelectual com outros centros como Atenas, Tessalónica, Alexandria, Antioquia, a Cesareia palestina e a sua homónima capadócia. O fulgor da literatura cristã revela-se nas reacções ao arianismo, heresia condenada no Concílio de Niceia (325) e ao nestorianismo. Destacam-se:

Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria, apologeta e Doutor da Igreja foi um dos mais abertos defensores da ortodoxia e foi um autor doutrinal de grande importância: explicou claramente a natureza e a geração do Verbo, considerou a integridade da natureza humana em Cristo como indispensável para a Redenção, afirmou a divindade do Espírito Santo e a unidade das pessoas em Cristo. Além da sua obra dogmática mais importante (Orationes contra Arianos), deixou muitos outros opúsculos e cartas e uma vida de Santo Antão exerceu grande influência na espiritualidade monacal da Idade Média.
Eusébio, bispo de Cesareia (Palestina), que viveu durante o século IV, verdadeiro iniciador da história eclesiástica com dez preciosos volumes sobre os primórdios do cristianismo, para além de vários tratados religiosos.  A sua História Eclesiástica é de inestimável valor pelas citações e referências; muitas fontes filosóficas e de história eclesiástica só através dela são conhecidas. A Crónica, síntese histórica dos povos antigos, contém numerosas tábuas com dados da história bíblica e profana. Sobre os Mártires da Palestina é o relato da perseguição de Diocleciano e Vida de Constantino um  panegírico deste imperador.
S. Basílio (330-379), apologeta capadócio nascido em Cesareia, orador, admirador dos clássicos, a sua vasta obra inclui Homilias, Panegíricos, Tratados e Cartas: homilias sobre o Hexámeron, os Salmos e outros livros sagrados.  Escreveu um tratado «sobre a maneira de tirar proveito das obras literárias gregas», dirigido aos jovens. O seu pensamento teológico encontra-se disperso nos seus escritos se bem que se conservem também alguns tratados (por exemplo, Sobre o Espírito Santo). As suas reformas litúrgicas tiveram grande repercussão no Oriente.
S. Gregório de Nissa (c.335-c.395), irmão mais velho de S. Basílio, empreendeu estudos sobre o texto da Bíblia, escreveu tratados de moral e teologia, destacando-se um Diálogo sobre a Alma e sobre a Ressurreição, o seu estilo é denso e pouco artístico, embora algumas orações fúnebres manifestem notável eloquência. Historicamente, situa-se no âmbito das discussões sobre o mistério trinitário, podendo considerar-se o autor do método que permitiu fixar o que é comum às Pessoas divinas e o que é próprio de cada uma. Merece destaque a sua doutrina sobre o homem como imagem e semelhança de Deus: enquanto tal, o homem pode conhecer a Deus e tender para a visão mística. Das suas obras, escritas em grego, destacam-se — Contra Eunómio (refutação do Arianismo);,Grande Discurso Catequético (súmula sistemática de doutrina cristã, influenciada por Orígenes), Comentário sobre a Criação (na sequência de S. Basílio) e Tratado sobre a Virgindade (de carácter ascético e místico).
S. Gregório de Nazianzo (319-330), companheiro de S. Basílio, orador brilhante, impregnou de poesia a sua extensa obra obra disseminada por Discursos, Elogios Fúnebres, Cartas, Epigramas e Epitáfios, e poemas dogmáticos e morais. Juntamente com S. Basílio e S. Gregório de Nissa forma o grupo chamado dos «Capadócios», que muito contribuiu para a solução da crise criada pelo arianismo. Presidiu em Constantinopla ao II Concílio Ecuménico.
S. João Crisóstomo (347-407), nascido em Antioquia, apologeta, bispo de Constantinopla, grande orador de tal modo eloquente que mereceu o epíteto Crisóstomo, que significa «boca de ouro», grande orador, Arcebispo de Constantinopla, um dos Santos Padres e Doutor da Igreja. Grande conhecedor das Sagradas Escrituras, são
valiosos os seus comentários bíblicos, em especial das cartas de S. Paulo. Além dos seus célebres sermões e cartas, escreveu numerosos tratados, dos quais se tornaram famosos os que versam sobre a virgindade, sacerdócio, penitência, preparação para o baptismo, esmola, etc., e as vinte e uma Homilias sobre as Estátuas.

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