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Violinista e  compositor, era filho do genovês Pietro Giorgio Avondano, rabequista na Capela Real de D. João V.  A corte apreciava de facto as suas composições, como a «burletta» Il mondo della luna, com um libreto de Carlo Goldoni, cantada em Salvaterra no Carnaval de 1765, a primeira ópera de um compositor português a ser representada na corte. Algumas das suas árias eram intercaladas nas óperas em cena no Teatro do Bairro Alto e da rua dos Condes.
Vivendo desafogadamente, promoveu festas em sua casa, ao estilo dos «salões», tão importantes no século XVIII, onde compareciam os residentes oriundos de Inglaterra e de Hamburgo e a que chamou «Assembleia das Nações Estrangeiras». Membro da Orquestra da Real Câmara, actuava muitas vezes como solista. Após o terramoto de 1755, que terá feito desaparecer uma boa parte da sua obra, teve acção influente na reorganização da Irmandade de Santa Cecília dos Músicos da Corte, de que foi eleito secretário. Compôs também música sacra, como um Te Deum, Ofícios da Semana Santa, diversas tocatas para cravo e uma série de minuetes para dois violinos e baixo contínuo. Veio a ser distinguido com o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo, em 1767.

Lisboa, 1714 -1782

Testamento de Pedro António Avondano.
Sobre os Minuetes de Lisboa de Pedro António Avondano.
AH, NON SAI BELLA SELENE (ária de uma ópera de David Perez) – Gemma Bertagnolli (soprano), Orquestra Divino Suspiro, dir. Enrico Onofri
Sonata em Ré maior, Rosana Lanzelotte toca cravo de 1780 (CD Sonatas)
Ladainha a 4 (excerto), Les Solistes du Palais Royal, dir.Bruno Procopio

Obras na Editora AvA
Colectânea de obras para tecla (Biblioteca Nacional)

Minuetes de Paris, edição crítica de Vanda de Sá.
Resumo:
Pedro António Avondano (1714-1782) foi um dos músicos mais influentes na vida musical portuguesa da sua geração, o que ficou confirmado pelo processo de Habilitação à Ordem de Cristo (1768), pela relevância das suas funções no seio da Irmandade de Santa Cecília, (presidiu ao processo de reorganização da Confraria em 1765), mas sobretudo, pela vasta circulação e reconhecimento da sua música num importante circuito cosmopolita. A funcionar pelo menos desde 1761, a Casa da Assembleia do Bairro Alto anunciou em 1766 um concerto sob a designação significativa de “Caza da Assembleia das Nações Estrangeiras, no fim da rua da Cruz onde mora Pedro Antonio Avondano”.  Esta Assembleia teve um papel importante no processo de implementação de novas práticas culturais, nomeadamente a música instrumental e a dança. Para a disseminação da prática social da dança foi determinante a publicação de três tratados em Portugal na segunda metade do século XVIII: de Joseph Thomas Cabreira, Arte de Dançar à Franceza (1760); de Julio Severin Pantezze, Explicaçam para aprender com perfeição a dançar as Contradanças (1761); e de Natal Jacome Bonem, Tratado dos principais fundamentos da Dança (1767). O segundo dos tratados foi, aliás, “oferecido aos dignissimos assinantes da casa da Assembleia do Bairro Alto”, complementando aqueles outros, ambos dedicados ao minuete.  A produção de minuetes de Pedro António Avondano para a sua Assembleia,  constitui-se como um corpus importante que testemunha esta mesma valorização do minuete enquanto dança prima. As três coleções de Lisbon minuets de Pedro António Avondano (ca. 1765-1770) impressas em Londres, constituiram-se como um caso paradigmático de circulação cosmopolita sendo especificamente identificadas no título de capa com o contexto da Assembleia das Nações Estrangeiras de Lisboa dirigida pelo compositor. Este conjunto de 46 minuetes publicados em três livros resultaram de uma seleção feita a partir de um livro manuscrito que reuniria um conjunto alargado, de acordo com o seu Inventário orfanológico que refere a existência de um Masso de Originais de Danças, que se presume serem os minuetes autógrafos. Considerado o contexto pode presumir-se a eventualidade destas danças serem executados pelo próprio compositor no violino e outros músicos muito próximos, eventualmente até familiares. Os três livros de Pedro António Avondano são a seguir apresentados pela ordem de publicação provável. Refira-se que a circulação da música, mesmo que impressa, fazia-se em grande medida através de cópias manuscritas, não raras vezes vendidas nos mesmos armazéns que comercializavam a música publicada. O manuscrito encadernado Minuetti a due Violini, trombe e Basso (VM7 6764 – BnF) constitui-se como uma cópia cuidada, de uma só mão, produzida em Portugal, entre as décadas de 1770 e 1780. Para além de incluir alguns dos minuetes impressos contém um conjunto de oito inéditos. O título Minuetes de Paris deve-se à sua localização na Biblioteca Nacional de França em Paris. Importa sublinhar que estamos numa época em que os recursos disponíveis, mais do que as regras de procedimento, condicionavam a praxis musical, podendo no limite encontrar-se inúmeras possibilidades de conjugação instrumental. A indicação relativa à presença de instrumentos de sopro nestes minuetes, pode ser articulada contudo com os indícios que temos de  recorrência das trompas na música de conjunto.

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