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Escritora e realizadora francesa, de seu verdadeiro nome Marguerite Donnadieu. A experiência vivencial indochinesa, que se prolongou atá aos 18 anos, marcou-a definitivamente e persegui-la-á mesmo. A descoberta do isolamento e da paixão, a paisagem do Mékong e da miséria, os abismos da alma e do corpo, tudo reaparece de algum modo na obra de Marguerite Duras. Em 1945 entrou para a Resistência francesa (onde conhece François Mitterrand, com quem manterá um relacionamento de proximidade) e, no início dos anos 50, aderiu ao Partido Comunista, onde permaneceu durante muito pouco tempo. Continuará, porém, a manter uma certa intervenção política. Une Barrage contre le Pacique (1950) constitui o seu primeiro êxito literário, mas a sua escrita irá assumir uma singularidade que a breve trecho se tornará uma marca durasiana: a arquitectura tradicional do romance dá lugar ao texto ficcional regulado por intensidades (o sofrimento, a dor, a morte, o amor, a inquietação.) que vão sinalizando um universo desamparado e estranho, mas estranhamente poético.
Ao nada e à aniquilação que esse universo sonda, contrapõe Marguerite Duras a escrita. O fluxo dessa escrita organiza-se musicalmente, isto é, em ciclos e repetições (de personagens, vozes, nomes, lugares, silêncios), insistências, perplexidades, reiterações, aproximações diversas que dão ao seu movimento um aparente estatismo; tal pode ser observado num só texto ou em conjuntos de textos, como se nesse universo a radicalidade da escrita constituísse uma aproximação, radical também, ao fundo do ser, e nela se revelasse (malgré elle) mais do que a irredutibilidade do humano, uma transcendente inteligibilidade. Estabelece, para alguns dos seus textos, uma relação (que não é unívoca nem é apenas de género) com o teatro e o cinema. Passa, a partir de Jaune, le Soleil (1971), a dirigir os seus filmes, também de concepção singular, em que a imagem, liberta do texto, o desafia, sublinhando a natureza ‹‹irrepresentável›› de uma e de outro. Em 1984, L’Amant é premiado com o Goncourt e, em 1992, Jean-Jacques Annaud propõe dele uma versão polémica, tornando Marguerite Duras, pelo menos parcialmente, conhecida do grande público.

Gia Dinh, perto de Saigão, 1914 – Paris, 1996

Obras
além das já mencionadas:
Les Impudents, 1945
La Vie tranquille, 1944
Le Marin de Gibraltar, 1952 (filme de T. Richardson em 1967)
Les Petits Chevaux de Tarquinia, 1955
Des journées entières dans les arbres (teatro/ filme em 1976), 1954
Le Square, 1955
Moderato cantabile, 1958 (filme de Peter Brook em 1960)
Dix heures et demie du soir en été, 1960 (filme de Jules Dassin em 1967)
Hiroshima mon amour (scénario et dialogues), 1960 (filme em 1958, de Alain Resnais)
Une aussi longue absence (scénario et dialogues), 1961 (com G. Jarlot; filme por Henri Colpi)
L’Aprés-midi de Monsieur Andesmas, 1962
Le Ravissement de Lol. V. Stein, 1964
Le Vice-Consul, 1965
L’Amante anglaise, 1967 (teatro em 1968)
Détruir, dit-elle, 1969 (filme em 1969)
Abahn, Sabana, David, 1970 (filme com o título Jaune, le Soleil, 1971)
L’Amour, 1971
Nathalie Granger (filme em 1972), 1975;
India Song (texte, théâtre, film), 1975 (filme 1975)
Son Nom de Venise dans Calcutta désert (filme), 1976
Le Camion (filme), 1977
Le Navire Night (filme), 1978
Aurélia Steiner, dit Aurélia Melbourne (filme), 1979
Aurélia Steiner, dit Aurélia Vancouver (filme), 1979 – VER
L’homme assis dans le couloir, 1980
L’été 80, 1980
Les Yeux Verts, 1980
Agatha, 1981
Outside (antologia de crónicas), 1981
L’Homme atlantique, 1982
Savannah Bay, 1982 (ed. aumentada 1985)
La Maladie de la mort, 1982
La Douleur, 1985
Emily L., 1987
La Pluie d’eté, 1990
L’Amant de la Chine du Nord, 1991
Yann Andréa Steiner, 1992

Marguerite Duras, um retrato (documentário, 2003)
Marguerite Duras, documentário
Entrevista no programa Apostrophes.
As obsessões de Marguerite Duras (texto crítico de Fernanda Ebersstadt (New Criterion, 1986)
Cena final de L’Amant, de Jean-Jacques Annaud

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