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Formado em Ciências Geológicas pela Universidade de Lisboa, o poeta e crítico musical José Blanc de Portugal foi metereologista de profissão, que exerceu também em Angola e Moçambique, tendo chegado a ser subdirector-geral do Serviço Meteorológico Nacional (1960-1973) e publicado alguns trabalhos da sua especialidade. Foi, porém, sempre, um homem de múltiplos interesses, evidenciando um gosto particular pelo esoterismo que, de algum modo, também transparece na sua actividade literária,
Esteve ligado ao Cadernos de Poesia (década de 40), como fundador e co-director nas suas três séries de publicação, primeiro com Tomás Kim e Ruy Cinatti, e depois com Jorge de Sena e José-Augusto França, uma revista que, como bem nota Fernando J. B. Martinho (1996, 2013), idealizara um «posição dialogante (…) como barreira contra a tendência hegemónica do neo-realismo». A sua poesia, segundo João Bigotte Chorão, apresenta uma qualidade em que «se revela o homem todo, e está presente a condição católica, portanto universal de um pensamento». Mas, se essa característica se corporizou inicialmente num registo mais dramático e enfático, foi «posteriormente abandonado em benefício de uma contenção combinada com uma deriva coloquial, tornando o discurso seco, terso, modulando o fluir de um pensamento que busca incorporando sempre em si o balanço da incerteza intrínseca à condição humana, raiz, nesse autor, da sua lúcida ironia» (Vera Borges, 2001).
Colaborando em revistas como, para além da já referida, Aventura, Litoral, Tricórnio, Graal, Tempo Presente ou Colóquio-letras, entre outras, a sua obra poética é, no entanto, relativamente breve, embora significativa. Publicou também um livro de ensaios com o título de Anticrítico (1960) e a obra Quatro Novíssimos da Música Actual, (1962).
Foi igualmente tradutor de grande mérito, vertendo para português obras de autores como Shakespeare, T.S. Eliot, Chesterton, Christopher Fry, Vasco Pratolini, Carlo Coccioli, Truman Capote, entre outros. Desempenhou ainda os cargos de adido cultural junto da Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro (1973-1978) e vice-presidente do ICALP (Instituto de Cultura e Língua Portuguesa) até 1982.

Lisboa, 1914 – 1999

OBRA POÉTICA
Parva Naturalia (1959) – Prémio Fernando Pessoa
O Espaço Prometido (1960) – Prémio Casa de Imprensa
Odes Pedestres precedidas de Auto-poética e seguidas de Música Ficta e outros poemas (1965)
Descompasso (1986)
Éneadas. 9 Novenas (1989) – Prémio PEN Clube português

Quaresma abreviada
(1997)
Estrofes (1999)

POEMAS
Ode a Lisboa
Dia de Todos-os-Santos
Homenagem ao conde Drácula ou a lua dos mortos
Soneto martelado
A pedra

Todos querem ser o que não são
Todos querem ser o que não são
 E eu à regra não faço excepção.
Se acontece que eu mil vezes mudo
É só por querer depressa ser tudo
Tudo, entendamos exclui meio milheiro…
Em especial: académico e banqueiro.
Um porque sabe a mais o que é de menos
O outro sofre muito se os lucros são pequenos!
Ambos, porque sim e porque não
Esses querem bem ser o que são…
Admiro até, porém, as linhas rectas
Mas geometria é realmente coisa de poetas
Que eu entorto em letras p’ra fazer um dístico
Capaz de fazer passar até por aforístico
Mas nem sorte alguma.
Puras agulhas de pinheiro, simples caruma
secas como as rectas da geometria
-A grande irmã secreta da poesia-
Que faz as úlceras dos críticos
Em seus comentários analíticos…
de Enéadas. 9 Novenas
*
DOCUMENTOS
Crítica (documento original) por ocasião do aparecimento da revista Comédia (1966)
José Blanc de Portugal: a «realidade total da poesia», por Maria João Borges

One thought on “José Blanc de Portugal

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