Home

Ucrania02

A Crimeia é uma península do Sul da Rússia europeia, banhada pelo mar Negro e o mar de Azov. Foi colonizada pelos Gregos e conhecida pelo nome de Quersoneso Táurico, por terem os colonizadores designado por Táurios os Cimérios que ali habitavam – povo ariano, oriundo da Hungria, cujo nome estará na origem do próprio termo «Crimeia», e que fora empurrado pelos Citas para essa região cerca de 750 a.C., instalando-se depois na Trácia e na Lídia e procurando a protecção do rei do Ponto, Mitridades, e, depois, dos Romanos; posteriormente, a região foi ocupada (século III d.C.) por Alanos e Godos e por Hunos e Húngaros (século IV d.C.).
No século VI foi incluída no Império Romano do Ocidente, mas a região era altamente permeável às invasões, que culminaram com o domínio dos Tártaros que, depois da vitória de Kalka (1223), subjugaram os Russos durante mais de 250 anos – falando uma das quatro línguas mais importantes do turco e praticando a religião muçulmana, formaram núcleos importantes na Sibéria, na Crimeia e na zona baixa do médio Volga.
No século X, também se instalaram na Crimeia os «Rus’ de Kiev», como os historiadores designaram os habitantes da cidade-fortaleza fundada, em meados do século VII, pelo príncipe Kyi, e que se tornara o centro de um estado eslavo-russo (a futura Ucrânia).
No século XIII, tanto Genoveses como Venezianos instalaram feitorias na Crimeia, respeitadas até pelos Mongóis quando estes ocuparam a região. No fim do século XIV, os Tártaros constituíram-se em reino independente com a dinastia dos Guirei. Porém, no último quarto do século XV, a Crimeia foi submetida ao Império Turco, constituindo um posto avançado do Islamismo no interior do Império Russo. Os Cossacos concentraram-se nessa fronteira e, pouco a pouco, foram-na fixando em favor da Rússia, que, no século XVIII, estabeleceu uma espécie de protectorado na região – com relevo para a acção do Príncipe Potemkine, ao serviço de Catarina II – que, em 1784, passou para as suas mãos, graças ao Tratado de Constatinopla celebrado com os Turcos.
A Crimeia constituiu assim uma posição estratégica fundamental relativamente a invasões que, vindas do Sul e do Leste, ameaçassem o Sul da Rússia, e, obviamente, também como um facilitador essencial do domínio e controlo do Mar Negro.
Essa posição estratégica pesou decisivamente nas tentativas feitas por Ingleses e Franceses de retirarem a região ao domínio russo, na sequência das guerras napoleónicas, apoiando os Turcos, facto que esteve na origem da Guerra da Crimeia (1853-1856) que terminou pelo Tratado de Paris, pelo qual a Rússia cedeu o sul da Bessarábia à Moldávia e a foz do Danúbio (rio que passou a ser livremente navegável) à Turquia, e se viu impedida de militarizar o mar Negro.
Posteriormente, com a revolução bolchevique, a Crimeia foi escolhida como ponto de concentração dos exércitos «brancos». Entre 1922 e 1945 constituiu uma república autónoma, sendo palco de uma encarniçada batalha no II Guerra Mundial, quando os Alemães quiseram avançar pelo Perekop, o istmo que liga a península da Crimeia à Ucrânia. No final da guerra, o regime soviético deportou a população crimeia-tártara (estimada em 300 mil pessoas, cuja história estava há séculos ligada à região), sob a alegação de colaboracionismo com os Alemães, tendo esta morrido na sua maior parte. Em 1954, Kruchtchev cedeu a Crimeia à Ucrânia. A região costeira da Crimeira foi, depois, mais conhecida como o local de eleição para a construção de luxuosas residências de férias da elite do Partido e do Estado soviéticos.

A Batalha pela Crimeia (II Guerra Mundial) – documentário
A Guerra da Crimeia – documentário
A Crimeia em 60 segundos (BBC)

2 thoughts on “Crimeia

  1. É preocupante a movimentação militar na região e inaceitável que a Republica Russa, detentora do maior país territorial do mundo, coloque a paz mundial em risco, e ponha no centro a disputa por uma península que não lhe pertence. Quando é que teremos tranquilidade entre os povos e unidos procuremos diminuir o sofrimento de povos que morrem de sede e fome pelo mundo.

  2. ótimo artigo. Estou curioso em saber porque uma música de Nelson Gonçalves fala “A Malícia de Crimeia e a Pureza de Maria”. Crimeia seria uma deusa grega?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s