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Filósofo britânico e uma das figuras cimeiras da corrente do utilitarismo, fundada por Jeremy Bentham (1748-1832), e seguida pelo seu pai e discípulo de Bentham, James Mill (1773-1836). Em 1826 passou por uma crise depressiva que o afastou episodicamente do utilitarismo para a ele regressar, rejeitando ou modificando, no entanto, alguns dos seus princípios.
A sua grande paixão foi Harriet Taylor, com quem casou após vinte anos de espera, marcados pelos preconceitos da sociedade vitoriana, o que pode ajudar a explicar a sua aversão às convenções sociais e o seu individualismo.
Membro da Câmara dos Comuns, sustentou causas polémicas como o voto das mulheres e a crítica à política do governo para a Irlanda.

O utilitarismo de John Stuart Mill
O utilitarismo inglês é um positivismo da moral, procurando fazer desta uma ciência positiva, fundada em factos e leis, para a poder usar como instrumento da transformação do mundo social, tal como as ciências naturais permitem actuar no mundo natural. John Stuart Mill procurou clarificar os princípios filosóficos implícitos nesse positivismo ético, desenvolvendo o associacionismo proposto por seu pai. Representante típico do empirismo britânico, não concorda com a dogmática em que se convertera o positivismo de Comte. Para ele, uma vez que o recurso aos factos é incessante, não é possível dogmatizar quaisquer resultados da ciência. A sua lógica, partindo da posição segundo a qual todos os conhecimentos, princípios ou demonstrações nascem da experiência e têm uma validade que se refere à validade das suas bases empíricas, condena a metafísica, eliminando deste modo todo o fundamento supostamente transcendente e imutável da verdade.

Todas as verdades são empíricas: a única justificação para o que será é a observação do que já foi, e, assim, o único método adequado para qualquer ciência é a indução. Todos os conhecimentos científicos são produto da generalização indutiva, mesmo os princípios lógicos, os axiomas matemáticos, as categorias que Kant considerava a priori e os silogismos. Logo, a previsão dos fenómenos é apenas provável e assenta no princípio da uniformidade da natureza, ou princípio da causalidade, ele também produto de uma generalização empírica.

Nominalista, nega a existência de conceitos gerais: o homem só tem ideias complexas acerca de objectos concretos e o nome (o conceito) representa apenas um hábito do espírito. O universal carece de existência independente: a crença de que existe um mundo independente deve-se ao poder das associações empíricas que a engendraram no espírito de acordo com cânones específicos (concordância, diferença, variações concomitantes e resíduos). As próprias leis do pensamento explicam-se por associações de ideias, segundo o mesmo princípio. Deste modo, a realidade externa não é mais que possibilidade permanente de sensações externas, enquanto a realidade do eu mais não é que uma possibilidade permanente de sentimentos.

Ao contrário de Comte que excluíra a Psicologia do número das ciências positivas, John Stuart Mill considerava-a parte essencial das Ciências Morais de que, inclusivamente, se podem deduzir a Etologia (ciência de formação do carácter) e a Sociologia. Continuando a tradição associacionista dos anteriores utilitaristas e de acordo com o modelo da Química, Mill considera que a Psicologia, entendida como ciência positiva, tem por objecto os factos psíquicos, isto é, estados elementares produto das impressões proporcionadas pela experiência, e as leis que permitem a sua relação. Daqui decorre uma moral cujo princípio fundamental consiste na busca – consciente ou inconsciente – da felicidade individual, isto é, do prazer e da ausência de dor. O bem identifica-se com a utilidade, a autoprotecção do indivíduo.

Do ponto de vista político, tal concepção conduz ao literalismo e a um individualismo, cujo limite só pode ser a autoprotecção do indivíduo: a intervenção de uma autoridade na conduta de um indivíduo só se justifica na medida em que tal intervenção defenda os interesses individuais. Não se pense, porém, que esta ética utilitarista é uma forma grosseira de egoísmo. Influenciado pelo positivismo social comtiano, a posição de John Stuart Mill tem um cunho marcadamente social. O progresso da humanidade e a educação temperam o egoísmo individual, conciliando-o com o altruísmo. Deste modo, o progresso do espírito humano, aumentando incessantemente o sentimento de unidade que liga os indivíduos uns aos outros, implica que o princípio de utilidade gere, não somente a felicidade individual, mas também a utilidade geral. A tendência para a felicidade individual implica a tendência para a felicidade dos outros, dando ao princípio de utilidade a formulação de «a maior felicidade do maior número possível».

Londres, 1806 – Avinhão, 1873

Obras principais:
Sistema de Lógica Dedutiva e Indutiva (1843)
Ensaios sobre Economia Política (1848)
Sobre a Liberdade (1849)
Pensamentos sobre a Reforma do Parlamento (1859)
Considerações sobre o Governo Representativo (1861)
Utilitarismo (1865)
Inglaterra e Irlanda (1868)
A servidão das mulheres (1869)
Autobiografia (1873).

MICHAEL SANDEL apresenta JOHN STUART MILL e o UTILITARIMSO (legendado)
Biografia e pensamento aprofundados aqui.
Informação sobre as obras de John Stuart Mill aqui.
John Stuart Mill: temas, argumentos e ideias.
A tradição da liberdade, de Corentin de Salle (obra integral)

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