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Escritor brasileiro, filho do poeta simbolista Da Costa e Silva (1885-1950). Diplomata de carreira, ocupou postos em diversos países das Américas, em África e na Europa, tendo sido embaixador em Portugal entre 1986 e 1990, desempenhando ao longo da vida diversos altos cargos no âmbito da sua actividade diplomática e representando o Brasil em numerosas reuniões internacionais.

Autor de um livro de memórias e de diversos ensaios, distinto e atento historiador das relações do Brasil com o continente africano, a sua obra adquiriu particular relevo também na poesia. Poeta do tempo que passa e do tempo passado, do amor e da morte, estreado com o livro O Parque e Outros Poemas (1953), a sua concepção da poesia como trabalho artesanal e do poeta como artesão está bem patente nos títulos de dois dos seus livros O Tecelão e Alberto da Costa e Silva Carda, Fia, Doba e Tece (ambos de 1962). Trata-se de uma poesia que embebe as suas raízes na tradição elegíaca europeia, fruto de um labor aturado sobre a linguagem, no sopesar minucioso da palavra, sem que tal prejudique a expressão clara ou diminua a fluidez do ritmo. As suas Poesias Reunidas (Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro) foram publicadas em 2000, ano em que foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, da qual também foi presidente (Secretário-Geral em 2001, Presidente em 2002 e 2003 e Primeiro-secretário em 2008 e 2009. Director das Bibliotecas em 2010 e 2011).
Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História e da Real Academia de História, da Espanha.
Doutor Honoris Causa em Letras pela Universidade Obafemi Awolowo (ex-Universidade de Ifé), da Nigéria, em 1986; em História pela Universidade Federal Fluminense, em 2009, e também pela Universidade Federal da Baía, em 2013. Prémio Juca Pato/Intelectual do Ano, da União Brasileira de Escritores e Folha de S. Paulo, em 2003. Distinguido com o Prémio Camões em 2014.

n. São Paulo, 12.5.1931

Outras obras poéticas:
As Linhas da Mão (1978) — Prémio Luísa Cláudio de Souza, do PEN Clube do Brasil
A Roupa no Estendal, o Muro, os Pombos (1981)
Consoada (1993)
Ao Lado de Vera (1997) — Prémio Jabuti

Ensaio:
O Vício de África e Outros Vícios (1989)
Guimarães Rosa, Poeta (1992)
Mestre Dezinho de Valença do Piauí (1999)
O Pardal na Janela (2002) – Descarregar AQUI
Castro Alves: Um Poeta Sempre Jovem (2006)
O quadrado amarelo (2009)

História
A Enxada e a Lança: a África antes dos Portugueses (1992-1996)
As Relações entre o Brasil e a África Negra, de 1822 à 1.ª Guerra Mundial (1996)
A manilha e o Libambo: A África e a Escravidão, de 1500 a 1700 (2002) — Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, da Fundação Biblioteca Nacional / Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro
Francisco Félix de Souza, marcador de escravos (2004)
Um Rio Chamado Atlântico (2012)
Das mãos do oleiro (2005)

Memorialismo
Espelho do Príncipe (1994)
Invenção do desenho (2007)
O pai do menino (2008)

Antologias:
Lendas do Índio Brasileiro (1957, sucessivamente reeditado)
A Nova Poesia Brasileira (1960)
Poesia Concreta (1962)
Da Costa e Silva (1998)
Poemas de Amor de Luís Vaz de Camões (1998)
Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea (com Alexei Bueno, 1999)
Augusto Meyer: ensaios escolhidos (2007)
Jorge Amado essencial (2010)
Imagens da África (2013)

POEMAS

Soneto

Cerâmica e tear: as mãos trabalham
e constroem o amor num fim de tarde,
como jarro de rústico gargalo
ou fino pano arcaico. Sobre o barro

põem desenhos mais jovens de suaves
moças dançando e restos de paisagens
da infância e da montanha: perfis núbios
sobre o vermelho poente desse jarro.

E a substância mais tímida do sonho,
nas mãos do artesão, faz de seu pranto
e cismas, riso e ardor, tecido raro

em que se borda uma novilha, bela
como o beijo em setembro, em que se fez
o amor com outro fio e um outro barro.

em O Tecelão

Triste Vida Corporal

Se houvesse o eterno instante e a ave
ficasse em cada bater d’asas para sempre,
se cada som de flauta, sussurro de samambaia,
mover, sopro e sombra das menores cousas
não fossem a intuição da morte,
salsa que se parte… Os grilos devorados
não fossem, no riso da relva, a mesma certeza
de que é leve a nossa carne e triste a nossa vida
corporal, faríamos do sonho e do amor
não apenas esta renda serena de espera,
mas um sol sobre dunas e limpo mar, imóvel,
alto, completo, eterno,
e não o pranto humano.

em As Linhas da Mão

Alberto da Costa e Silva – documentário – Parte 1 e Parte 2
Alberto da Costa e Silva fala sobre África
Palestra de Alberto da Costa e Silva
Palestra de Alberto da Costa e Silva: África – passado e presente
Alberto Costa e Silva fala sobre o pai – documentário

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