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João Pedro Grabato Dias é o nome literário do pintor e gravador António Quadros (António Augusto de Melo Lucena e Quadros). Após cursar Pintura na Escola de Belas-Artes do Porto e de ter marcado presença em algumas exposições colectivas ao longo da década de 50, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, onde estudou gravura e fresco na École des Beaux-Arts. Em 1963, partiu para Moçambique, onde viveria até 1985. Como pintor salienta-se pelo uso de uma «linguagem expressionista de teor ingénuo, sublinhada por uma paleta de cores vibrantes e luminosas» (Ana Filipa Candeias). Regressado a Portugal, obteve doutoramento em Arquitectura e foi docente na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. A sua obra plástica pôde ser revisitada na exposição retrospectiva «Porto 60/70: os artistas e a cidade», em 2001.

Literariamente, «o conjunto dos textos de Grabato Dias cristaliza-se numa monumental ficção poética que, pela estrutura centrífuga das instâncias ficcionais e pelas variadas significações que delas se destacam, se vai constituindo como um teatro» (Maria de Lourdes Cortez) — apresenta Arca (Lourenço Marques, 1971) como uma tradução do «sânscrito ptolomaico», atribui as Quybyricas (Lourenço Marques, 1972) a um tal Frey Ioannes Garabatus, seu antepassado («poema ético em oitavas, que corre como sendo de Luís Vaz de Camões, em suspeitíssima atribuição de Frei Ioannes Garabatus, impressas em Moçambique», glosa e paródia de Os Lusíadas, com significativo prefácio de Jorge de Sena) e encarna a figura de Mutimati Barnabé João, «voz individual que corporiza a voz colectiva», para publicar Eu, o Povo (1975).

O editor, juntamente com Riu Knopfli dos cadernos Caliban, sobretudo constitui «voz singular ulcerada e mitológica, ensimesmada, onírica, ironicamente realista, brutal, descabelada, ardentemente bizarra, reveladora de um mundo fantasmagórico e quase demasiado verdadeiro, traduzido por uma extraordinária ‘fauna léxica’ que a um tempo nos subjuga e desorienta» (Eugénio Lisboa).

Viseu, 1933 – Santiago de Besteiros, Viseu, 1994

 OUTRAS OBRAS
40 Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada (1970, Prémio Reinaldo Ferreira, 1968/ 1.º prémio do concurso literário da Câmara Municipal de Lourenço Marques).
O Morto (1971)
Uma Meditação. 21 Laurentinas e Dois Fabulírios Falhados (1971)
Pressaga (1974)
Facto/Fado (Porto, 1985)
Sagapress (inédito?)
O Povo é Nós (1991)
Sete Contos para Um Carnaval (1992)

Cronologia detalhada da vida e obra de António Quadros/Grabato Dias
Imagens da obra plástica
Obras de António Quadros (incluindo alguns poemas musicados e cantados)
Jorge de Sena e as Quybyricas

quybyrycas

TEXTO

actualização do soneto VII de luiz vaz

Mudam-se os templos, mudam-se as vontades
muda-se o crer, muda-se a mudança
e o pó facundo, imposto à confiança
geral, esporrinha (mal) liberalidades.

Continuamente TêVêmos suaves
dirigentes na rota da esperança;
do aval esticam anáguas de faiança
que tem, o algum bem, das raridades.

Jumento-cobra cobre o cão, e o espanto
desta anti bio lógica heresia
em mim adverte o coro em que não canto.

E afora este mudar de bateria
nenhuma outra mudança dá o arranco
final à encalhada ferraria.

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