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Uma das figuras de maior relevo da literatura universal. Nascido em Stratford-upon-Avon, onde fez os seus estudos, é a partir do momento em que se instala em Londres (sabe-se que já aí residia em 1592) que o seu percurso, desde logo ligado ao teatro, pode ser seguido mais de perto. Aí trabalhou como actor na companhia Lord Chamberlain’s Men que, em 1603, se transformaria em The King´s Men, a companhia que haveria de dominar o panorama teatral inglês durante grande parte do século, instalada no Globe Theatre e dispondo dos melhores actores do tempo, como Richard Burbage. Shakespeare permaneceria sempre associado a este grupo quer como autor, quer como «company sharer», isto é, participando da sua direcção.

TÍTULOS PRIMEIRAS REPRESENTAÇÕES
Henrique VI 1589/92
The Comedy of Errors 1592/93
Ricardo III 1592/93
The Taming of the Shrew 1593/94
The Two Gentleman of Verona 1594/95
Love’s Labour Lost 1594/95
Romeo and Juliet 1594/95
A Midsummer Night’s Dream 1595/96
Richard II 1595/96
The Merchant of Venice 1596/97
King John 1596/97
Henrique IV 1597/98
Much Ado About Nothing 1598/99
Henry V 1598/99
As You Like It 1599/1600
Julius Caesar 1599/1600
Hamlet 1600/01
The Merry Wives of Windsor 1600/01
Twelfth Night 1601/02
Troilus and Cressida 1601/02
All´s Well That Ends Well 1602/03
Othello 1604/05
Measure for Measure 1604/05
King Lear 1605/06
Macbeth 1605/06
Antony and Cleopatra 1606/07
Coriolanus 1607/08
Timon of Athens 1607/08
Pericles 1608/09
Cymbeline 1609/10
The Winter’s Tale 1610/11
The Tempest 1611/12
The Two Noble Kinsmen 1612/13
Henrique VIII 1612/13
O génio de Shakespeare manifesta-se em vários planos e nos vários géneros de teatro que abordou. Todavia, são as tragédias, principalmente as que escreveu entre 1600 e 1605 — Hamlet, Othello, King Lear e Macbeth –, que parecem reunir de forma exemplar os elementos mais perturbantes do seu teatro.
A condição humana, o destino, as paixões, o poder, a traição e a perfídia, a verdade e a mentira, são temas recorrentes que, no seu conjunto, constituem uma densa análise do Homem e daquilo que o move. Daí que ressalte delas um elevado grau de universalidade e intemporalidade, isto é, verifica-se que os problemas nelas representados ultrapassam muito as circunstâncias do tempo e do espaço em que foram colocados.
Hamlet, por exemplo, transporta consigo um simbolismo que quase se autonomizou da própria peça, quase se tornou uma personagem real, conhecido mesmo de quem nunca leu ou viu a tragédia shakespeariana, podendo mesmo ser citado. Frases como «ser ou não ser, eis a questão» (to be or not to be that is the question) ou «algo está podre no reino da Dinamarca» (something is rotten in the state of Denmark) ou «há mais filosofia no céu e na terra, Horatio, do que a tua filosofia sonha» (There are more things in heaven and earth, Horatio,
Than are dreamt of in your philosophy) circulam independentemente do contexto em que foram produzidas.
As grandes tragédias de Shakespeare têm sempre sido uma fonte inesgotável de novas interpretações e abordagens.

Stratford-upon-Avon, 1564 – Londres, 1616

Shakespeare na Internet
Shakespeare Online
Shakespeare Resource Center
Shakespeare’s Words
Shakespeare Birthplace Trust
Shakespeare in quarto
Folger Shakespeare Library
Absolute Shakespeare
No Fear Shakespeare

The Complete Works of William Shakespeare (Abridged) – Reduced Shakespeare Company

Solilóquio de Hamlet (Acto 3, cena 1)

To be, or not to be – that is the question:
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune
Or to take arms against a sea of troubles
And by opposing end them. To die, to sleep–
No more – and by a sleep to say we end
The heartache, and the thousand natural shocks
That flesh is heir to. ‘Tis a consummation
Devoutly to be wished. To die, to sleep–
To sleep–perchance to dream: ay, there’s the rub,
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause. There’s the respect
That makes calamity of so long life.
For who would bear the whips and scorns of time,
Th’ oppressor’s wrong, the proud man’s contumely
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office, and the spurns
That patient merit of th’ unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? Who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscovered country, from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will,
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all,
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprise of great pitch and moment
With this regard their currents turn awry
And lose the name of action. (…)

«Ser ou não ser, eis a questão! O que será mais nobre para o espírito humano: sofrer os ataques e as frechadas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um mar de dores e, enfrentando-as, pôr-lhes termo? Morrer… dormir; mais nada! E dizer que se acaba com as penas do coração e mil choques de que é herdeira a carne! Eis um fim a desejar ardentemente. Morrer… dormir! Dormir… Sonhar talvez! Aí é que está o problema! Porque há que pensar nos sonhos que virão nesse sono da morte, quando nos libertarmos desta mortal crisálida! É este raciocínio que nos leva à desgraça de uma vida tão longa! Pois quem suportaria as chicotadas e o desprezo do mundo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as ferroadas do amor incompreendido, as delongas da justiça, a insolência dos funcionários e o coice que o mérito paciente recebe dos indignos, quando se podia buscar repouso com a ponta de um punhal? Quem aguentaria tão pesado fardo, gemendo e suando, sob o peso de uma vida tão trabalhosa, se não fosse o pavor do que existe para lá da morte — essa região desconhecida cujas fronteiras nenhum viajante volta a atravessar —, temor que embaraça a vontade e nos obriga a suportar os males que conhecemos, em vez de corrermos para outros de que não sabemos nada? Assim a consciência faz cobardes de nós todos, e assim o primeiro impulso da resolução esfuma-se no pensamento, e as tentativas de força e energia, perante este raciocínio, mudam o seu curso e perdem o nome de acção…»

trad. de Ricardo Alberty

Interpretações de Kenneth Brannagh, Laurence Olivier, Mel Gibson, Richard Burton e David Tennant

Soneto XVIII

Shall I compare thee to a summer’s day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer’s lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm’d;
And every fair from fair sometime declines,
By chance, or nature’s changing course, untrimm’d;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou ow’st;
Nor shall Death brag thou wander’st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow’st;
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.

Que és um dia de v’rão, amor, não sei se diga:
tens mais suavidade e tens mais formosura.
Em Maio o vento agreste frágeis botões fustiga
e o prazo dum verão bem pouco dura.
Às vezes abrasante do céu brilha a  pupila
e quantas no seu ouro a escuridão avança,
às vezes da beleza todo o belo vacila
quer seja por acaso ou natural mudança.
Mas teu perene v’rão, amor, nunca feneça
nem perca a formosura que só a ti pertence,
nem a morte de errar-lhe na sombra se envaideça
que no canto imortal o próprio tempo vence,
enquanto alguém respire ou olhos possam ver
e viva este me verso e te faça viver.

tradução de Vasco Graça Moura

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